Ídolos

Revelada em meados dos anos 70, no fluxo migratório que trouxe talentos nordestinos para o Sul do Brasil, Elba Maria Nunes Ramalho nasceu em 17 de agosto de 1951, em Conceição do Piancó, cidade do interior da Paraíba. Criada entre os baiões de Luiz Gonzaga e os pastoris (manifestação folclórica da cultura nordestina), a artista abraçou o rock em seus primeiros passos na música. Foi baterista do grupo feminino As Brasas. Mas, ao migrar para o Rio em 1974, agregada ao Quinteto Violado para participar do espetáculo A Feira, Elba acabaria se tornando a voz do Nordeste que ecoaria em todo o Brasil para dar continuidade ao legado de Luiz Gonzaga.
Num primeiro momento, a cantora aproveitou a veia dramática de seu canto para atuar no teatro carioca. Sua participação na primeira montagem da Ópera do Malandro – em que vivia a personagem Lúcia e dividia o número “O Meu Amor” com a atriz Marieta Severo – chamou a atenção da crítica e do autor do espetáculo (ninguém menos do que Chico Buarque) para a voz agreste e forte da iniciante cantora.
Foi nesse contexto, favorecido pela boa receptividade do mercado fonográfico aos artistas nordestinos em fins dos anos 70, que Elba gravou seu primeiro LP, o supra-citado Ave de Prata, com direito à música inédita de Chico Buarque (Não Sonho Mais). Depois, vieram os álbuns Capim do Vale (1980) e Elba Ramalho (1981), todos pela CBS.
Fora da CBS, Elba assinou com a extinta gravadora Ariola e, adotando imagem mais sensual e brejeira, explodiu nacionalmente com os discos Alegria (1982), Coração Brasileiro (1983, LP que trouxe o sucesso "Banho de Cheiro"), Do Jeito que a Gente Gosta (1984) e Fogo na Mistura (1985, o do hit "De Volta pro Aconchego"). A cada álbum lançado, Elba fazia saltar sua veia teatral em shows incendiários. E foram muitos os discos daquele fértil período: Remexer (1986), Elba (1987), Fruto (1988), Popular Brasileira (1989), Popular Brasileira ao Vivo (1990), Felicidade Urgente (1991), Encanto (1992), Devora-me (LP de 1993 em que procurou um acento caribenho para sua música) e Paisagem (disco de 1995, de sotaque mais pop).
Em 1996, ao assinar contrato com a BMG, Elba promoveu festejada volta às origens nordestinas com o disco Leão do Norte, produzido por Robertinho de Recife. O espetáculo homônimo foi eleito o melhor de 1996 pelos críticos. Paralelamente, a cantora se uniu a Alceu Valença, Geraldo Azevedo e Zé Ramalho e, sob a alcunha de O Grande Encontro, o grupo saiu em turnê pelo Brasil, registrada num disco ao vivo (mais tarde, já sem Alceu, o trio lançaria mais dois álbuns de sucesso).
Outros álbuns inspirados - como Baioque (1997), Flor da Paraíba (1998) e o duplo ao vivo Solar (1999) - confirmaram a boa fase da artista nos anos 90. Em 2001, a inclusão da balada "Entre o Céu e o Mar" na trilha da novela Porto dos Milagres ajudou a promover o disco Cirandeira, ao qual se seguiu um tributo a Luiz Gonzaga no disco Elba Canta Luiz (2002) – cujo show de lançamento renderia o CD Elba ao Vivo (2003). Em 2004, uma turnê nacional com Dominguinhos seria o ponto de partida do disco que saiu no início de 2005, gravado em estúdio com inéditas ("Rio De Sonho", "Forrozinho Bom", "Chama") e clássicos de autoria de Domiguinhos, casos de "Eu Só Quero Um Xodó" e "De Volta pro Aconchego", este um sucesso eternizado em 1985 pela própria Elba, a voz agreste que traduz a riqueza musical nordestina para o Brasil.
Clube Cidade FM - Organizações Gisele Maiolino Furtado - Todos os Direitos Reservados